A Habitação é um dos principais desafios em Matosinhos. Sabemos das dificuldades existentes e do extenso desafio que se alarga não só para o país, como também para toda a União Europeia. No entanto, em Matosinhos, muito pouco tem sido feito para resolver tal dificuldade e facilitar o acesso das pessoas e das famílias ao mercado imobiliário para que estas possam satisfazer as suas necessidades e alcançar os seus desejos e objetivos. É preciso assegurar que a classe média tem maior capacidade de comprar ou construir habitação. Para tal, é necessário aumentar a capacidade de construção, através da simplificação do acesso a licenciamentos; assim como assegurar que a Câmara Municipal constrói mais fogos habitacionais que possam ser colocados no mercado a preços acessíveis.
Habitação e requalificação urbana

Em linhas gerais, a situação de degradação é hoje muito visível e decorre de alguns fatores como políticas que tiveram como resultado o congelamento das rendas, que não geraram rendimento suficiente para os senhorios assegurarem a manutenção e, em determinadas situações, a própria segurança dos edifícios, a falta de confiança no mercado do arrendamento. Desta conjugação de problemas resultou a degradação dos prédios, o abandono dos centros dos aglomerados urbanos e o desaparecimento da função de habitação nos centros.
A requalificação das cidades permite o surgimento de novas oportunidades de vida nos centros urbanos num ambiente de qualidade e conforto e, quando vista no seu vasto âmbito de intervenção, quer em zonas das Baixas das cidades ou em bairros, é uma oportunidade de investimento multidisciplinar, envolvendo de forma transversal variadíssimos agentes e valências.
Sabemos que regenerar e reabilitar as áreas urbanas degradadas contribui para a criação de emprego, geração de negócios, rentabilização de estruturas existentes que se encontram subaproveitadas, viabilização de investimentos, envolvimento de comércio e indústria, consumo de materiais, atração de empregos mais qualificados, maior ocupação urbanista, envolvendo também emprego indiferenciado e, sobretudo, o consumo de recursos internos, não contribuindo para o agravamento do nosso défice comercial.
Não é mais possível, nem desejável, apostar na construção nova, devendo os setores da construção e do imobiliário orientarem as suas atividades para a regeneração das cidades, a requalificação de bairros e a reabilitação de edifícios.
Matosinhos tem de ter melhor qualidade de vida para todas as pessoas de diferentes estratos sociais, económicos e demográficos.
Bruno Pereira

